quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Medalha da Vitória

Medalha da Vitória:


No final da Primeira Guerra Mundial, as nações vitoriosas criada uma medalha comum, conhecida como a Medalha da Vitória. A fita para cada nação era a mesma - um arco-íris duplo, justapostos com vermelho no centro, movendo-se para fora para violeta nas bordas. A frente de cada medalha possui uma figura alada da Vitória, o inverso as palavras "A Grande Guerra pela Civilização". De todos os países do lado Aliado, as versões mais raras são do Siam e do Brasil.


O Brasil  entrou na guerra em resposta a guerra submarina irrestrita da Alemanha. O Brasil tinha uma frota mercante de tamanho considerável e tinha perdido um número de navios para os submarinos alemães quando finalmente entrou na guerra  com os aliados em outubro de 1917. 



A contribuição da nação para a guerra eram dois cruzadores e dois destróieres com suas tripulações colocadas sob o comando de um Almirantado Britânico. Alguns aviadores brasileiros foram treinados na Inglaterra e usada para patrulhar a costa. Os brasileiros também enviaram uma missão médica para a Europa, mais soldados para protegê-lo. Os médicos foram incorporados em várias estações médicas em campos de batalha e em hospitais na França, Itália, Inglaterra e Bélgica. Cerca de 2.500 dessas medalhas foram produzidas para a concessão a estes marinheiros, soldados e pessoal médico.


A vitória alada brasileira parece um anjo. O reverso tem a frase "A grande guerra pela civilização", em Português sobre os escudos dos países aliados.



A Medalha de Vitória do Brasil foi criada em junho 1923 pelo escultor brasileiro Jorge Soubre, baseada em modelos de seus Aliados que começaram no início de 1919. Juntamente com a medalha o agraciado recebia um diploma.



Existem dois modelos principais:

Tipo 1: a medalha oficial produzida pela Casa da Moeda do Rio que possuem as marcações"Casa da Moeda - Rio".

Tipo 2: o modelo da produção privada (feitas pela "The Royal" inglesa), é idêntica, mas a sem marcação na borda.


Os originais têm um patina no tom marrom chocolate. No entanto, encontramos cada vez mais medalhas  com patina muito escura. O autor internacional sobre medalhas e condecorações,  A. Laslo, em seu livro mostra um exemplar com um pequeno anel soldado à medalha e através do qual passa a suspensão anel de fita.





DECRETO 16.074 - 22 de junho de 1923

Ele cria uma medalha comemorativa inter-aliado, chamado de "Medalha de Vitória".

O Presidente dos Estados Unidos do Brasil, enquanto que em 24 de janeiro de 1919 a Conferência de Paz aprovou a proposta do marechal Foch, de modo que todos os combatentes da Grande Guerra receberão uma medalha comemorativa que mesmo usado por eles em todas as partes do mundo, irá manter os sentimentos eternos de camaradagem que você faz no campo de batalha, a força dos exércitos, e garantir a memória, durante a paz, a grandeza das nações aliadas, enquanto que um "Medalha inter-aliado estabelecida mais tarde que esta medalha foi chamado "Victory" e que as regras de atribuição deve ser de molde a evitar a sua confusão com qualquer outra medalha comemorativa, decide sobre a proposta da Ministério da Marinha, e em harmonia com os princípios básicos estabelecidos pela Comissão, ordenar o seguinte:

Artigo 1º - É uma medalha comemorativa criada inter-aliado, chamado de "Medalha de Vitória".

Artigo 2º - Esta medalha é redonda em bronze fosco com  0,36mm de diâmetro, 0,04mm de espessura, e franjas com duas palmas das mãos, e o centro da frente da figura simbólica de Victoria, em pé na frente de um fundo liso e nenhuma inscrição ou encontro. Na parte de trás terá o escudo nacional cercada pelos escudos das nações aliadas e associadas, todas cercadas pelo "grande guerra pela civilização".

Artigo 3º - A medalha é suspensa a partir de uma fita, como todos os aliados e associados, cujas cores são o arco-íris de dois laterais justapostos pelo vermelho com um fio branco em cada lado. Esta fita terá  0,36mm de largura e 0,40 mm de comprimento.

Artigo 4º - terá direito a "Medalha da Vitória" todos os militares ou civis que foram empregadas no serviço de guerra real por um espaço mínimo de três meses, indicados a seguir:

1º - Oficiais, Sargentos e praças mais baixas da Marinha, incluindo grumetes e empreiteiros, que serviram na esquadra em operações militares, a qualquer momento entre a partida de suas unidades na ilha de Fernando de Noronha em 01 de agosto de 1918 e sua retornar à mesma ilha em 19 de maio de 1919;

2º - os oficiais do Exército Nacional e abaixo disso, sendo incorporado no Exército francês em virtude do art. 2º do Decreto n. 2 do Decreto n 3.427, de 27 de dezembro de 1917, com ELE combateram; 3427 de 27 de Dezembro de 1917, lutou com ele;

3º - os oficiais da Marinha que são nomeados pelos avisos dos ns Ministério da Marinha. 140, 141, 142, 143 e 144, 08 de janeiro de 1918, 386, 387, 388 e 389 de 22 de Janeiro de 1918, para praticar e aviação estudo na Inglaterra, foram realmente empregados no dever de patrulhar;

4º - os oficiais da Marinha, nomeados pelo Ministério da avisos 1233, a 29 de Março de 1917, 3447, a 18 de Setembro de 1917 e 4747 de 12 de Dezembro de 1917, para servir na Marinha dos Estados Unidos da América, que neste navios de guerra nação, fez parte das forças americanas no serviço de guerra;

5º - os civis brasileiros que se alistaram e lutaram na exércitos aliados ou marinhas;

6º - os militares brasileiros e adidos navais ao lado de Inglaterra, França, Itália e Estados Unidos da América, que têm servido nesses locais após 26 de outubro de 1917 até a data do armistício;

7º - os membros das missões militares organizadas pelos ns avisos. 4680 de 7 de Dezembro, 1917 e 4735 de 11 de Dezembro de 1917, o Ministério da Marinha e aviso de número 428, de 18 de Maio de 1917, o Ministério da Guerra, que serviu nestes comités, a qualquer momento entre as datas de nomeação e o armistício;

8º - os membros brasileiros da missão médica organizada pelo decreto n. 13092 de 10 de Julho de 1918, que foram em hospitais para vítimas de guerra ou de trabalho de administração que lhes dizem respeito na França, Itália, Inglaterra e Bélgica;

9º - o militar ou da marinha do Exército Nacional que recebeu a Cruz de Campanha 1914 a 1919, a que se refere o decreto n. 15600 de 11 de Agosto de 1922, e aqueles que têm colaborado efetivamente em serviço de guerra.

Artigo 5 - Não terá direito "Medalha de Vitória", com cerca de um quarto incluído no artigo, os desertores, condenados e aqueles excluídos do Exército e da Marinha, por frase ou ação disciplinar.

Artigo 6º - Os departamentos competentes dos Ministérios da Guerra e Marinha vai organizar desde o início para compreender as relações todos os militares, actualmente a viver em condições de receber o "Medalha da Vitória", "de acordo com as disposições do presente decreto, e todos os direitos civis, nas mesmas condições que esses ministérios têm dependia do tempo de serviços prestados ou assentamentos que os têm. a lista deve mostrar para cada um dos militares ali, o posto atual e teve de ordenar os serviços prestados.

Artigo 7º - O militar que não estão incluídos nas relações mencionadas no art. 6, ou civis sobre os quais não existem assentamentos oficiais, exigir que o Ministério da Guerra ou da Marinha, conforme o caso, a concessão da "Medalha de Vitória", documentos de coleta para provar o seu direito.

Artigo 8 - Organiza as relações mencionadas no art. 6º, ou direitos estabelecidos para os candidatos, de acordo com art. 7º, será lavrada os decretos de concessão da medalha e enviado para diplomas e medalhas interessadas, incluindo os assinados nos Ministérios da Guerra e Marinha, respectivamente, pelos chefes do Departamento Central da Marinha e da Província.

Artigo 9 - A "Medalha da Vitória" será usada no peito esquerdo, como se segue:

1º - os militares, de acordo com a sua política uniforme;

2º - no uniforme que, pelos seus regulamentos, se pretende utilizar o barreta das medalhas ou decorações em uma barra dobrada em vez de si mesmos, também será usada para fita "Medalha da Vitória" dobrado sobre uma barra;

3º -  civis, bem como os militares, com roupas civis, eles vão usar a medalha no peito esquerdo.

Artigo 10 - E civis, bem como os militares à paisana pode usar a fita do distintivo dobrado ao longo de um bar, como indicado no art. 9º, parágrafo 3º, com a fita estreita com as cores si, preso na lapela, ou mesmo no peito, uma redução da medalha, com  0,15mm de diâmetro, suspensa ou o próprio pino atual.

Artigo 11 - Revoga as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 22 de junho de 1923, 102 e 35 da Independência da República.

Arthur da Silva Bernardes.
Alexandre Faria de Alencar.
Setembrino Fernando de Carvalho.


Participação do Exército:

A participação brasileira nas operações terrestres se resumiu ao envio de um corpo de sargentos e oficiais do Exército Brasileiro numa missão preparatória que havia sido enviada em meados de 1918 sob o comando do General Napoleão Felipe Aché para, operando junto ao exército francês, se inteirar das modernas técnicas de organização e combate empregadas no front ocidental.

Um terço dos oficiais enviados foi promovido por atos de bravura em ação, dentre eles estavam os então, tenente José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, que ao longo da carreira se firmaria como importante ideólogo e reformador do exército brasileiro e major Tertuliano Potyguara, este último figura controversa e de destaque na campanha do Contestado, foi ferido na última Batalha do Canal de St. Quentin durante a Ofensiva Meuse-Argonne. 

Missão médica militar:

Em 18 de agosto de 1918, a Missão Médica, chefiada pelo Dr. Nabuco Gouveia e também subordinada ao General Napoleão Aché, foi a última a partir, com 86 médicos. Em 24 de setembro de 1918, a Missão Médica brasileira chegou à terra francesa pelo porto de Marselha, depois de uma viagem acidentada. Uma outra missão já havia sido enviada ao teatro de guerra europeu com a finalidade de instalar um hospital. Integravam a missão 92 médicos, sendo dez militares e os demais mobilizados e convocados nos respectivos postos privativos de oficiais. Além dos médicos, integravam a missão acadêmicos, farmacêuticos, pessoal de apoio administrativo e um pelotão de segurança. A contribuição da missão médica brasileira materializou-se no apoio dado à população francesa contra a epidemia de gripe espanhola que assolava também aquele país, o que garantiu a continuidade do apoio logístico às tropas da frente de combate. A Missão Médica foi extinta em fevereiro de 1919.

Participação da Marinha:

Coube a marinha a maior, embora modesta, contribuição militar brasileira no conflito. Para cumprir as atribuições da Marinha, o Ministro, Almirante Alexandrino Faria de Alencar, determinou a organização de uma força-tarefa que permitisse a efetiva participação da Marinha brasileira na Primeira Guerra Mundial. Logo, pelo Aviso Ministerial nº 501, de 30 de janeiro de 1918, foi constituída a Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG), composta de unidades retiradas das divisões que formavam a Esquadra brasileira. Passaram a compor a DNOG os cruzadores Rio Grande do Sul e Bahia, os contratorpedeiros Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Santa Catarina, o Tender Belmonte e o Rebocador Laurindo Pitta.



A Esquadra naval brasileira foi inicialmente incumbida de patrulhar a área compreendida pelo triângulo marítimo na costa noroeste africana, cujos vértices eram a cidade de Dacar, o arquipélago de São Vicente (Cabo Verde), e Gibraltar na entrada do Mediterrâneo. Ficaria sob as ordens do Almirantado britânico, representado pelo Almirante Hischcot Grant. Para comandá-la, foi designado um dos oficiais de maior prestígio na época, o Contra-Almirante Pedro Max Fernando Frontin, nomeado em 30 de janeiro de 1918.



A guerra no mar, para o Brasil, teve início no dia 1 de agosto, quando da partida da DNOG do porto do Rio de Janeiro. No dia 3 de agosto de 1918, o navio brasileiro Maceió foi torpedeado pelo submarino alemão U-43. Em 9 de agosto de 1918, atingiu Freetown, permanecendo 14 dias neste ponto, quando então os homens começaram a adoecer com o vírus da gripe espanhola.



Na noite do dia 25 de agosto, na travessia de Freetown para Dacar, a divisão sofreu um ataque torpédico feito por submarino alemão, mas sem causar vítimas ou danos nos navios. Felizmente, os torpedos passaram sem causar danos entre os navios brasileiros, que lançaram um contra-ataque usando cargas de profundidade, tendo a marinha real britânica creditado aos brasileiros o afundamento de um submarino inimigo.



Posteriormente, já fundeada no porto de Dacar, a tripulação da divisão foi vítima da epidemia conhecida na época como a gripe espanhola, que tirou a vida de mais de uma centena de marinheiros e imobilizou a Força por dois meses naquele porto.


Entre o comando naval aliado houve intenso debate sobre como as forças da frota brasileira deveriam ser utilizadas; "Os italianos queriam-los no Mediterrâneo, já os americanos preferiam que trabalhassem em estreita colaboração com suas próprias forças no Atlântico Norte, enquanto os franceses queriam mantê-los na proteção do tráfego marítimo comercial ao longo da costa ocidental norte-africana entre Dakar e Gibraltar." Esta hesitação do comando aliado, combinada com o atraso ao longo de 1918 para se lançar a esquadra ao mar devido à problemas operacionais, além da epidemia que atingiu a tripulação no final de agosto, fez com que a frota fosse designada ao mediterrâneo somente no início de novembro de 1918, apenas para ver dias depois, o armistício com a Alemanha ser assinado, pondo fim na guerra.


Barretas com as fitas das medalhas de um veterano brasileiro da Grande Guerra e da Segunda Guerra Mundial (notem a fita da Medalha da Vitória - 1ª da esquerda para direita na 1ª fila de cima para baixo):



PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

A Grande Guerra ou Primeira Guerra Mundial começou em agosto de 1914 e terminou em novembro de 1918. Tal evento dramático aglutinou, inicialmente, as forças aliadas da chamada Tríplice Entente, composta pelo reino da Grã-Bretanha, os impérios da Rússia e do Japão e a República da França, contra as forças da Tríplice Aliança, composta pelos impérios centrais da Alemanha e da Áustria Hungria, o império Turco-Otomano e o reino da Itália. No desenrolar do conflito, ambos os lados sofreram alterações em sua composição: a própria Itália entrou efetivamente na guerra ao lado da Tríplice Entente e não da Tríplice Aliança, e o Império Russo retirou-se da guerra em 1917 devido a graves problemas internos, ocupando seu lugar na Entente os Estados Unidos. A princípio neutro diante do conflito, o Brasil revogou a neutralidade em favor da França, Rússia, Grã-Bretanha, Japão, Portugal e Itália em junho de 1917, reconheceu o estado de guerra em novembro seguinte e enviou uma Divisão Naval em Operações de Guerra em maio de 1918. 

DA NEUTRALIDADE À PARTICIPAÇÃO

As preocupações com uma guerra generalizada na Europa mostraram-se frequentes já no final do século XIX. Um sinal da iminência da guerra foi a corrida armamentista que se acelerou no início do século XX, conduzida em grande medida pela situação internacional que lançou as nações em uma acirrada competição. A Europa dividiu-se gradualmente em dois blocos, derivados do surgimento no cenário europeu de um Império Alemão unificado, através de alianças e contra-alianças. Tais blocos, fortalecidos por planos de estratégia e mobilização, tornaram-se mais rígidos, arrastando todo o continente europeu para a guerra através de uma série de crises internacionais. A crise final veio em 1914, com o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando da Áustria quando se encontrava em visita a Sarajevo.

Quando eclodiu a guerra na Europa, o Brasil matinha relações bastante cordiais com os principais países beligerantes, como a Alemanha, que era seu principal parceiro comercial, seguida pela Inglaterra e depois França. Outro setor onde se fazia notar a influência alemã era o militar. Desde a ascensão do marechal Hermes da Fonseca ao Ministério da Guerra em 1906, o Exército brasileiro seria profundamente influenciado pela organização militar alemã, com o envio inclusive de jovens oficiais para servirem no Exercito alemão, considerado o mais bem organizado da época.

Deflagrado o conflito, o governo brasileiro adotou a completa neutralidade, fixando regras para sua observação. Ao optar pela neutralidade, o Brasil sofreu com uma série de restrições comerciais impostas pelos países beligerantes aos países neutros. Um exemplo de tal ação foi a imposição pelos países aliados da statutory list, ou lista negra, uma relação de empresas em países neutros com as quais estava proibido o comércio por manterem relação com a Alemanha. A aplicação da lista negra provocou violentos protestos contra a Inglaterra, pois as consequências foram desastrosas para a economia brasileira. Tais protestos, dirigidos ao Itamaraty ou diretamente ao presidente da República, vinham principalmente de associações comercias que contavam com capitais alemães, como por exemplo firmas exportadoras de café, que foram incluídas na lista negra e exigiam a interferência constante do Itamaraty junto aos cônsules ingleses. A dificuldade de comércio com a Europa abriu amplas oportunidades para a entrada de produtos norte-americanos, possibilitando o crescimento dos Estados Unidos como principal parceiro econômico das nações latino-americanas, especialmente do Brasil. Outra implicação da guerra que afetou negativamente a economia brasileira do período foi a crise dos transportes marítimos, devido à falta crescente de navios de comércio e aos riscos da navegação para o exterior, o que dificultou ainda mais a exportação do café, limitando seus mercados consumidores.

O posicionamento do Brasil no conflito mundial, além de problemas comerciais, suscitou um intenso debate que dividiu a opinião de intelectuais e políticos entre “aliadófilos”, “neutrais” e “germanófilos”. Eram evidentes, todavia, as simpatias pelos Aliados. A própria invasão da Bélgica pelos alemães em agosto de 1914, logo no início da guerra, provocou uma moção apresentada à Câmara dos Deputados pelo parlamentar Irineu Machado na qual o Brasil se colocava contrário à ação alemã, por tratar-se de clara violação de tratados e desconsideração das leis internacionais. A fundação, no ano seguinte, da Liga Brasileira pelos Aliados marcou claramente a preferência pela causa das nações da Entente. Para presidente da entidade foi escolhido Rui Barbosa, e para vice, o ensaísta e crítico literário José Veríssimo. Também integravam a Liga Graça Aranha, Barbosa Lima, Olavo Bilac e Manuel Bonfim.
Entre os simpatizantes dos impérios centrais, a voz mais ativa era do deputado Dunshee de Abranches, que, quando do início do conflito, ocupava o posto de presidente da Comissão de Diplomacia da Câmara. Na visão de Abranches, a origem do conflito era puramente comercial e econômica, e tinha como objetivo a destruição da prosperidade nacional da Alemanha. Abranches criticou a ingenuidade dos aliadófilos que acreditavam no discurso inglês de defesa da civilização contra a barbárie, considerando fruto da propaganda britânica as denúncias de violências praticadas nas invasões alemãs à Bélgica e França. Tal postura acabou levando à sua renúncia à posição de presidente da Comissão de Diplomacia.

Quanto aos que defendiam uma posição neutra, seu principal argumento residia no fato de que a posição “aliadófila” significava um alinhamento automático aos Estados Unidos, o que colocava o Brasil em uma posição de dependência em relação àquele país. A manutenção da neutralidade também foi defendida pela imprensa carioca no início do conflito, justificada pela tradição pacifista nacionalista, e contava com figuras de destaque na opinião pública, como Assis Chateaubriand, Vicente de Carvalho, Jackson de Figueiredo, Azevedo Amaral, Carlos Laet e Alberto Torres.

À medida que o conflito se expandia pela Europa, propostas de alianças diplomáticas surgiram entre as nações americanas, como a idéia de um Tratado Pan-Americano, sugerida pelo presidente norte americano Woodrow Wilson com o objetivo de garantir a independência política e a integridade territorial de todos os países das Américas. Outra iniciativa foi a realização da Conferência Pan-Americana em Washington, com o objetivo de discutir uma reação hemisférica em caso de ameaça de ataques de submarinos alemães.

As negociações diplomáticas não prosseguiram, e a realização da conferência em Washington tornou-se inviável com o decorrer da guerra; já o Tratado Pan-Americano enfrentou dificuldades, como o posicionamento do ministro brasileiro Lauro Müller, que defendia a continuidade da neutralidade brasileira, embora a opinião pública nacional se inclinasse à adesão às forças da Entente.

Em janeiro de 1917, o quadro ficou mais complicado, quando o governo alemão resolveu declarar guerra submarina irrestrita com a finalidade de bloquear o comércio aliado. O governo brasileiro protestou, declarando não aceitar o bloqueio; já o governo norte-americano rompeu relações diplomáticas com a Alemanha. A ruptura de relações diplomáticas dos Estados Unidos foi seguida de um convite do presidente norte-americano Woodrow Wilson às nações neutras para que estas acompanhassem tal atitude e também rompessem relações com a Alemanha. O Brasil não aceitou o convite, e por isso enfrentou severas críticas da imprensa brasileira, que exigia a mudança de posição do país no conflito. 

Alguns meses depois, os Estados Unidos declararam guerra à Alemanha, no mesmo momento em que o Brasil, após o torpedeamento do vapor brasileiro Paraná por submarinos alemães, decidiu romper relações diplomáticas e comerciais com a Alemanha, em 11 de abril de 1917. A ação brasileira incluiu também declarar sem efeito os exequatur de todos os funcionários consulares alemães.

Após o afundamento do Paraná, o ministro Lauro Müller ficou em uma situação difícil. O rompimento de relações com a Alemanha não era suficiente, e crescia a pressão para a entrada do Brasil na guerra. A ascendência germânica do ministro e a oposição da opinião pública à sua atuação no ministério levaram à sua saída da pasta em 3 de maio de 1917.



Dois dias após assumiu o ministério Nilo Peçanha, admirador do aliadófilo Rui Barbosa. A entrada do novo ministro foi decisiva para a mudança da posição brasileira, para a qual contribuiu também o torpedeamento dos vapores brasileiros Tijuca e Lapa por submarinos alemães.

Após as agressões alemãs, o governo brasileiro pediu e obteve do Congresso autorização para declarar sem efeito o decreto que estabelecia a neutralidade brasileira na guerra dos Estados Unidos contra o Império Alemão e para utilizar os 46 navios mercantes alemães ancorados em portos nacionais. O posicionamento ao lado dos Estados Unidos ficou claro, ressaltado na mensagem de Nilo Peçanha enviada em 2 de junho aos governos estrangeiros, justificando a revogação da neutralidade pelas práticas de solidariedade continental características da política externa brasileira. Também foram utilizadas como justificativa a Doutrina Monroe e a amizade tradicional com os Estados Unidos. A revogação da neutralidade em favor da França, Rússia, Grã-Bretanha, Japão, Portugal e Itália foi decretada ainda em junho de 1917 e apontou como justificava a reincidência de ataques de submarinos alemães a vapores brasileiros.

O reconhecimento do estado de guerra com o Império Alemão se deu após o torpedeamento do vapor brasileiro Macau e do aprisionamento de seu comandante. A lei de guerra foi sancionada em 16 de novembro de 1917, e proibiu aos alemães no Brasil todo comércio com o exterior, bem como o transporte de carga inimiga em navios nacionais e a remessa de fundos para o exterior. Foram cassadas também as licenças para o funcionamento de companhias de seguro e bancos alemães.

A entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial como nação beligerante colocou-o em um seleto grupo junto com os Estados Unidos e as repúblicas centro-americanas, uma vez que Uruguai, Peru, Equador e Bolívia apenas romperam relações diplomáticas com a Alemanha, e Argentina, Chile, México, Venezuela e Paraguai mantiveram-se neutros.

Já como nação beligerante, o Brasil participou da Conferência Interaliada em Paris, realizada de 30 de novembro a 3 de dezembro de 1917, tendo como representante Olinto de Magalhães, ministro plenipotenciário junto ao governo francês. Nesse momento, o governo brasileiro resolveu participar efetivamente do conflito, através do envio de forças de guerra. 

A participação brasileira na Primeira Guerra ao lado das forças aliadas consistiu no envio de uma divisão naval composta dos scouts Rio Grande do Sul e Bahia, dos destroyers Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Santa Catarina, e do transporte de guerra Belmonte.

Sob o nome de Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG), e sob o comando geral do contra-almirante Pedro Max de Frontin, a divisão partiu com destino à Europa em 16 de maio de 1918. Outras providências tomadas pelo governo brasileiro foram o envio de nove oficiais aviadores da Marinha e do Exército para auxiliar nos combates aéreos, e de uma missão chefiada pelo deputado e médico Nabuco de Gouveia à França, composta de médicos-cirurgiões que, auxiliados por um corpo de estudantes e de soldados do Exército, constituíram o Hospital do Brasil para o tratamento de feridos de guerra. A instituição continuou prestando assistência aos feridos mesmo depois de encerrado o conflito.



Após muitas dificuldades técnicas, a Divisão Naval brasileira chegou a Dacar, onde a guarnição brasileira foi vítima de uma epidemia de gripe espanhola. Apenas parte da esquadra conseguiu seguir viagem e chegar a seu destino, o porto de Gibraltar, um dia antes do armistício (11 de novembro de 1918) que encerrou a Primeira Guerra Mundial.


Apesar de uma atuação inexpressiva militarmente, o Brasil foi o único país da América do Sul a participar do conflito, o que garantiu sua presença na Conferência de Paz, que seria realizada em 1919 em Versalhes, e na organização da Liga das Nações.



Implicações importantes da Primeira Guerra Mundial no Brasil foram a consolidação da política externa brasileira voltada para os Estados Unidos e a desilusão com civilização Belle Époque que marcou o pós-guerra, anunciando o declínio da cultura europeia e a aurora do novo mundo representado pela América.

Luciana Fagundes 

Fonte: 

http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/PARTICIPA%C3%87%C3%83O%20BRASILEIRA%20NA%20PRIMEIRA%20GUERRA%20MUNDIAL.pdf

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